Fujii
October 4, 2010
O plano parece simples, mas comer sushi em Tóquio não é directo.
Já todos ouvimos falar em estrelas michelin, em japs fusion, em restaurantes idílicos, mas…e os ao virar da esquina?
Net, mais net, “sushi tokyo”…em desespero de causa “nishi shinjuku ochame” e aqui vou desta para melhor…um restro de 3ª no meio dos USA.
Há de facto um hotel perto, a critíca diz “comi por $250 e fui feliz”. Começo a deprimir e a perder a fé…mas sushi devia querer dizer o mesmo que arigato ao virar da esquina!!!. recepção de hotel, com ar triste e penteado a rigor com pente murcho de quem vai pagar o que não deve numa terra onde não falta o peixe crú, “where” aqui perto, simples sem pôr a familia e a reforma no prego!
ao virar da esquina (que já nem sei como se diz em inglês), e de mapa eficaz e desejos de felicidade e saúde como se nunca mais voltasse ao hotel ou à vida, saio com a esperança de não me descapitalizar nem dar cabo de mais uns certificados de aforro só para jantar.
Perco-me, de mapa na mão, não estudo as hierarquias da legenda, e acho quer o restaurante, claramente identificado em japonês, fica numa avenida, numa alameda. Afinal a despedida era mesmo desmedida, pois é mesmo ao virar da esquina…at turning the corner…at tulning the conel!
perdido ainda na alameda…HELP! esta senhora sem cão shibayno, nem ar apressado…agarra firmemente a folha que lhe dou…eu a pensar que era aqui…I thought that was here, very near by…hele, vely neal by!!…
oh…oh…e mais uma dissertação digna dos sonhso do kurosawa, que vamos andando sem a devolução do meu mapa nem esperança de solução para o enigma. oh…oh…
sim, já assustado, pois perdi a posse do mapa, apesar de caminhar lado a lado com o meu resgator, tradutor, salvador, caminhamos em o que acredito ser próprio de se ouvir em sinjuku nishi ochame…não em mim!
mais um candeeiro, uma paragem, o mapa…eu sem a posse deste nem resposta para o meu enigma mas com alguma confiança da resolução…mas… give me the map!!
uma passadeira nova paragem, o sinal, um grito..”yhugo”…ou assim me parece, e do outro lado o amigo com ar assustado, mais do que eu que caí nas teias da ajuda de bairro organizada, destes dois…mais se seguirão penso eu…
é aqui…it’s here…hele…hele!! e entre cumprimentos e vénias, despeço-me com um sentimento do companheiro que devido ao desafio percorrido em conjunto ficou o sentimento de camaradagem…parece mal pedir contacto…mas quase o pedia…
o restaurante
um pequeno aquário com peixes minúsculos vermelhinhos…temo o pior que os choques culturais podem oferecer…afinal era o chinês ao lado, grande alivio já imaginava a chacina dos gold fishes!!
um restaurante pequeno a cheira a sg ventil (eu que nem sei que já não fumo há mais de 5 anos) e o empregado a olhar para nós, não estando á espera de nós…nem de niguém, o ventil em grande combustão e o pequeno televisor com o keanu reeves ( o que é feito deste?)
fico, fico não…mas porque não? tem um ar cozy, aquilo que procuro desde que cheguei, um sushi de bairro
Tem frigorifico com os nacos refrigerados á nossa frente. Não é motivo de pãnico. O peixe tá bom!…digo eu
ok..então as regras são..eu dou o meu melhor inglês e não recebo nada…no fair! no fail!…
então eu dou o meu melhor português…poltugues..e recebo o bom jap em troca…DEAL!
uni…UNI!! quero ouriço, e mackrel, e tudo o mais que me é dado, é bom, estou contente, até me posso descuidar da postura que teria na alternativa dos $250.
chá? nã…quero sake…quelo sake!!
ai sim? responde ele…então toma lá dois copos de refresco…cheios ate ao bordo com gelo…
não é água não é sake..é o que vai haver ate fechar aporta
o festim vai a meio, o farquejo com as ovas de salmão, agregadas na cera natural da bolsa do bicho…tento e insisto, mas não resisto, afinal gourmet tem limites.
mais sake…ou refresco…reflesco!…
SAKE? sim…sake!…oh wait…e sai porta fora aos gritos…afinal o vizinho da passadeira não é um caso isolado.
volta com uma pequena garrafa, e cai a cortina do enigma do que se tinha bebido…shinzuu
venha a garrafa, venha o chefe, venha o polu tugalo gin,
estamos no Miyakozusi, repetindo frenicamente ate apanhar a correcta dicção, e o Fujii é o nosso anfitrião
estar longe de casa, é assim, com uma pequena chuva lá fora num um sushi bar vazio (é domingo, não houve mercado…) e o Fujii a desenhar o mapa do Japão, e eu a dar brilaretes com nomes de cervejas, de maquinas fotografica que são o seu nome, mais curiosidades, sempre em japonês com resposta em português, e o Fujii já ao balcão conosco
portugueses Há 300 anos no japão, e eu achar que foi há 500, tenho o restaurante há 34, e eu que fui o primeiro a entrar nele,
como há 500 anos atras.